Saiu hoje no Jornal Nh a seguinte matéria:

Estamos enfrentando uma pandemia que provoca a necessidade de se utilizar de todos os conhecimentos acumulados até então na medicina associado ao estudo dos mecanismos de como esta nova infecção causa danos aos seres humanos.

Várias alternativas de tratamento estão sendo testadas concomitantemente em diversas partes do mundo, e entre os estudos mais recentes surge a possibilidade do uso da Radioterapia em pacientes com infecção grave por COVD-19.

Mas a radioterapia não é um tratamento para o câncer?
Não seria prejudicial tendo em vista a possibilidade de reduzir a imunidade? Não seria tóxico?

“Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio”, e isso, já dizia Paracelso, médico alquimista renascentista.

A ideia de usar a radioterapia em doses baixas vem do reconhecimento de que em infecções severas o organismo, ao tentar defender-se do vírus, “ataca excessivamente”, causando o que chamamos de “tempestade de citoquinas”, substâncias inflamatórias produzidas por nosso próprio corpo que em excesso podem causar danos severos.

Pesquisadores de vários locais do mundo, incluindo Estados Unidos, Itália, Índia, Irã e Espanha estão testando a radioterapia torácica em baixas doses, geralmente em aplicação única, com o intuito de reduzir a inflamação dos pulmões de pacientes com infecção severa pelo COVID 19.

As doses seriam muito menores do que no tratamento do câncer e um pouco acima das recebidas durante uma tomografia computadorizada, por exemplo.

A radioterapia nestas doses baixas normalmente não tem um efeito antiviral em si, mas reduz a inflamação, reduzindo os efeitos prejudiciais nos pulmões e corpo.

Entretanto qualquer nova abordagem exige cautela.

Uma publicação científica de abril (oriunda de pesquisadores Iranianos) menciona que “há pouco conhecimento sobre a interação entre baixas doses de radioterapia e vírus”. A preocupação é de que seja possível ocorrer um aumento no risco de viroses após tratamento radioterápico, o que ainda não foi testado adequadamente no caso das infecções graves por coronovírus.

Concluindo, a radioterapia que, de longa data faz parte do arsenal de tratamentos contra o câncer, está em fase de estudos para uso em pacientes graves pelo COVID-19.  

Naturalmente só deverá ser utilizada no contexto de estudos clínicos bem conduzidos, atualmente nunca fora deste cenário. 

No momento, trata-se de uma esperança que poderá se mostrar importante no combate a mortalidade induzida pelo COVID-19.

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