A principal luta é pela vida, eu sei, mas autoestima é também entra na lista pelo bem-estar quando a briga é contra o câncer. “Via aquelas mulheres mutiladas e pensava que não era isso que eu queria para mim e que deveria haver outro jeito. Eu ia então batalhar para não tirar a minha mama, querendo ou não é parte do meu corpo, pode ser um egocentrismo, eu sei, mas a gente quer. Se tem outra solução é então menos agressão para mim, minha autoestima fica melhor. Hoje eu tenho só um cortezinho que eu posso mostrar, com tranquilidade, porque ele conta a minha história. Espero que outras pessoas também vejam que há outras oportunidades”, desabafa uma professora de 43 anos de Campo Bom. Ela é uma das pacientes da região que optou pela Terapia Neoadjuvante.

Os médicos de Novo Hamburgo também destacam que, como no caso da moradora de Campo Bom, dependendo das condições de saúde do paciente e estágio do câncer, podem ser implementadas estratégias de tratamento com a preservação de órgãos, como a mama, laringe e bexiga. Essa possibilidade tornou-se mais próxima da realidade com a Terapia Neoadjuvante. “É a administração de agentes terapêuticos antes do tratamento cirúrgico ou radioterápico. O objetivo da Terapia Neoadjuvante é reduzir o tamanho ou extensão do câncer antes do tratamento local (cirurgia e/ou radioterapia), com a possibilidade de reduzir as consequências de uma técnica mais agressiva que seria necessária se o tamanho ou extensão do tumor não fossem reduzidos.”

Não é só na mama

Câncer de laringe, com o objetivo de se tentar preservar a voz dos pacientes.

Câncer de bexiga, com o objetivo de preservação do órgão. Neste caso, são utilizados protocolos de quimioterapia e radioterapia em conjunto.

Câncer de próstata de risco intermediário e alto. O bloqueio hormonal pré-radioterapia diminui os índices de recidiva.

Câncer de pâncreas. Permite, em algumas situações, tornar operáveis alguns tumores que inicialmente não seriam passíveis de ressecção.

Câncer avançado de ovário, com o objetivo de melhorar o estado nutricional das pacientes e permitir cirurgias com menores riscos de complicações e com maior chance de remoção do máximo de tumor da cavidade abdominal.

Câncer de esôfago.

Câncer de pulmão.

Câncer de estômago.

Tumores ósseos: Osteosarcomas.

Sarcomas de partes moles.

Ação nas micrometástases que não se vê nos exames

Os oncologistas ainda ressaltam que a Terapia Neoadjuvante age não apenas no tumor primário, mas também na doença micrometastática – aqueles microscópicos tumores pelo corpo que não aparecem nos exames. “O tratamento sistêmico, ou seja, de todo o corpo, é iniciado de forma imediata com medicações anticâncer que percorrerão a corrente sanguínea até os diversos órgãos onde podem haver se alojado microscópicas células tumorais, não detectáveis por exames de imagem. É por causa da possibilidade da existência de doença micrometastática que muitas vezes se realiza o tratamento com quimioterapia e ou hormonioterapia após cirurgias de câncer de mama ou intestino, por exemplo. O objetivo da quimioterapia nestes casos é tratar doença microscópica em busca de maiores índices de cura.”

Resultados

“No estudo NSABP B-18 demonstrou-se que a quimioterapia neoadjuvante, antes da cirurgia, diminuía em cerca de 80% o tamanho dos tumores e permitia a conservação da mama em 70% das pacientes com tumores entre 2 a 5 centímetros. Estes maiores índices de preservação da mama são conseguidos sem prejuízo das chances de cura das pacientes. É importante reforçar que, após cirurgias conservadoras de mama, em praticamente todas as pacientes é necessário o complemento com radioterapia”, citam, acrescentando que, apesar de moderna, não é indicada a todos os pacientes.