A oncologia está evoluindo rapidamente. Partimos de poucas opções de tratamentos no geral  agressivos, com frágeis adjuvantes para compensar os efeitos colaterais para o momento atual, onde está ocorrendo uma verdadeira revolução no âmbito de pesquisa que começa a dar frutos no dia a dia dos pacientes e oncologistas. Quais são estas mudanças?

A base da escolha do tratamento historicamente dependia da localização do tumor primário, ou seja, onde ele surgiu primeiro, por exemplo, na mama, pulmão, ou próstata… Todos os tumores de mama, portanto, eram classificados como sendo uma mesma doença, ou seja: como se todos os cânceres de mama tivessem exatamente as mesmas características e a mesma evolução, o mesmo risco de acometer outros órgãos, as mesmas chances de responder a um determinado tratamento. Porém, a prática mostrava que as pessoas apresentavam resultados bastante distintos usando o mesmo tipo de terapia, e era muito difícil predizer quem iria obter benefício de um medicamento ou se este resultaria em insucesso. Com o avanço do conhecimento da genética tumoral, atualmente podemos ter algumas informações  extremamente valiosas a partir do material de biópsia. Aquele pedacinho de tumor pode informar sobre mutações específicas que, além de terem relação com o prognóstico e características tumorais, são alvos para tratamentos mais específicos, permitindo uma personalização na indicação do tratamento para várias doenças oncológicas. A cada mês surgem novas  evidências consolidando e ampliando o leque de tratamentos personalizados para melanomas, câncer de pulmão, mama, ovário, rins, estômago, entre outros. Há poucos meses o FDA (a agência americana que autoriza a incorporação de novas drogas nos EUA) aprovou a primeira terapia gênica para alguns tipos de leucemia linfoblástica aguda, com uma técnica que utiliza as próprias células do paciente modificadas em laboratório e reintroduzidas no doente. Estamos entrando na era da Oncologia de Precisão, com resultados nunca antes vistos em tumores que apresentavam extrema resistência aos tratamentos convencionais. Estamos longe ainda do ideal, especialmente em nosso país onde os recursos são escassos e enfrentamos uma longa espera na incorporação de novas tecnologias e medicamentos por parte das agências de regulação. A quimioterapia tradicional continua com papel importante, assim como a cirurgia, radioterapia e demais tratamentos. A integração do conhecimento e das várias técnicas , entretanto, está beneficiando um número cada vez maior de pacientes. E estamos apenas começando.

Dra Daniela Lessa da Silva
Oncologista Clínica
CREMERS 23039

Artigo publicado no Caderno Saúde, do Jornal NH, no dia 09 de outubro de 2017.