A suspeita por parte do paciente de que seus sintomas possam ser decorrentes de câncer costuma gerar grande ansiedade. Infelizmente, ainda é comum a associação do câncer a uma doença incurável ou desprovida de tratamento eficaz. Em conseqüência, muitas pessoas escondem da família e amigos os sintomas e só chegam ao médico com o avançar da doença.

Em países onde são priorizados o acesso a centros de saúde e informação com relação ao diagnóstico precoce, foram observadas reduções significativas na mortalidade associada à doença nas últimas décadas.

É absolutamente normal o paciente estar assustado e fragilizado pela perspectiva de se confrontar com o diagnóstico de uma doença potencialmente grave. É um momento especial, no qual o médico deve estar preparado para oferecer informação e apoio ao paciente e seus familiares, além do tratamento técnico.

A quimioterapia, cirurgia, radioterapia ou qualquer tratamento oncológico somente se tornam completos quando associados a uma visão global de qualidade de vida, que deve ser sempre individualizada.

As informações ao paciente e à família devem ser disponibilizadas; isto implica em ouvir o paciente e respeitar a sua vontade, inclusive de receber ou não determinadas informações sobre sua doença.

O atendimento individualizado é a base para a diminuição da ansiedade e sofrimento relacionado à doença e ao tratamento. As orientações gerais servem de base para o diálogo, mas a qualidade do atendimento vai depender fortemente do grau de personalização que o profissional da saúde vai investir naquela pessoa que está à sua frente. As dificuldades que o paciente apresenta são relacionadas à sua personalidade, sua atividade profissional, sua atividade física, sua relação dentro da família e da comunidade, e devem ser compreendidas dentro destes contextos.

É importante que a pessoa que está ou esteve em tratamento seja tratada sem preconceitos, de uma maneira natural, tanto por profissionais da área da saúde, amigos e familiares. As adaptações e mudanças enfrentadas pelo ser humano normalmente são acompanhadas por sentimentos negativos, como perda e medo, não sendo diferente nesta situação. O respeito às necessidades individuais, em especial às sócio-culturais, é fundamental para que a pessoa possa sentir-se bem, uma vez que este é o objetivo final de qualquer tratamento médico.

Fonte: Dra. Daniela Lessa – Oncologista da Oncosinos