Atualmente existe uma preocupação crescente em controlar os fatores de risco para doenças cardíacas. E um dos vilões mais combatidos são os altos níveis de colesterol. O que não sabíamos é que, tentando prevenir uma doença, talvez estejamos conseguindo também vencer outro inimigo, o câncer.

As medicações chamadas de “estatinas” são amplamente utilizadas no tratamento da hipercolesterolemia. Seu uso está associado à redução da incidência e mortalidade de diversas doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e certos tipos de arritmias. Entretanto, independente do efeito na redução do colesterol, estão surgindo evidências de que as estatinas possam atuar na prevenção e tratamento do câncer.

As pesquisas indicam que estas medicações podem ser capazes de atuar inibindo a formação de vasos sangüineos dos tumores, contribuindo para uma diminuição na capacidade do tumor receber “alimento”, além de diminuir sua chance de metastatização (crescimento das células cancerígenas em outros órgãos do corpo) e causando a morte das células doentes.

Os dados clínicos, todavia, são ainda conflitantes. Enquanto vários estudos de seguimento de pacientes indicam uma menor ocorrência de câncer de mama, colon, próstata, útero e melanoma em pacientes tratados com estas medicações, outros não demonstraram estes benefícios, ou mesmo apontaram para um pequeno aumento na incidência de tumores. A tendência atual da comunidade médica, com base na maioria dos dados, é de prosseguir com pesquisas na área de prevenção e tratamento do câncer utilizando esta classe de medicações.

Hoje, o paciente que usa estatinas como tratamento para reduzir o colesterol pode contar com riscos diminuídos para diversos tipos de doenças cardiovasculares. É possível que como “brinde” esteja também recebendo proteção contra o câncer. Esta questão só será esclarecida com o prosseguimento de mais pesquisas realizadas na área.

Fonte: Dra. Daniela Lessa – Oncologista da Oncosinos